Boa intenções, será?

"De boas intenções o inferno está cheio", dizem.

De psicólogos que creem ser bons ou suficientes apenas porque querem o bem do outro, também - acrescento eu.

Coração bom não faz um profissional psi competente. É claro que um coração ruim também não ajuda.

O fato é que a clínica não depende de boas intenções, depende de ética e seriedade naquilo que se faz.

Aliás, frequentemente, "boas intenções" levam um profissional psi a se identificar com o outro e desejar para o outro o que queria para si, muitas vezes sem sequer poder reconhecer isso. Um imenso perigo!

Um psicólogo ou um psicanalista que não leva muito, muito, mas muuuuito a sério mesmo a sua própria análise ou psicoterapia, jamais será um bom clínico, por mais que estude bastante.

E não se trata de fazer sua análise pessoal porque dizem que tem que fazer ou porque se crê ser um profissional dedicado, mas trata-se de localizar em si um sofrimento que leva a uma questão sobre o mais íntimo do próprio ser, trata-se de levar primeiramente o próprio psiquismo muito a sério, para só depois, então, poder escutar clinicamente um outro.

Sem um trabalho consistente sobre si mesmo, é fácil transformar a vida do outro num inferno.

Mesmo, ou principalmente, cheio de boas intenções."